Em alusão ao Dia Nacional da Luta Antimanicomial, celebrado em 18 de maio, estudantes do 5º período do curso de Terapia Ocupacional do Centro Universitário Fluminense (UNIFLU) promoveram uma mesa-redonda com o tema “Da exclusão ao acolhimento: saúde mental, liberdade e cuidado em debate”. Uma noite de muito aprendizado, conhecimento e emoção.
O evento reuniu acadêmicos, professores e profissionais da área da saúde para uma reflexão sobre os avanços da reforma psiquiátrica brasileira, os desafios da atenção psicossocial e a importância da construção de práticas de cuidado centradas na dignidade, autonomia e inclusão social das pessoas em sofrimento psíquico. A mesa-redonda foi realizada no Auditório do Campus II.
A proposta do encontro surgiu a partir da necessidade de ampliar as discussões sobre a luta antimanicomial, movimento que defende a superação do modelo de isolamento em instituições psiquiátricas e a valorização de estratégias de cuidado em liberdade, por meio da rede de atenção psicossocial.
Os debates foram conduzidos por convidados que abordaram o tema sob diferentes perspectivas. A professora e pesquisadora Edinalda Maria Almeida da Silva apresentou reflexões sobre os conceitos de normalidade e saúde mental a partir da obra O Alienista, de Machado de Assis, estabelecendo conexões entre literatura, sociedade e os processos históricos de exclusão.
Na sequência, o professor Luciano Gomes da Silva trouxe contribuições fundamentadas no pensamento do filósofo Michel Foucault, discutindo os mecanismos sociais e institucionais relacionados à construção da loucura e à trajetória da reforma psiquiátrica.
Complementando o debate, as psicólogas Marcela Leal da Silva e Bárbara Matos abordaram os impactos da reforma psiquiátrica na assistência à saúde mental, destacando os avanços conquistados nas últimas décadas e os desafios ainda enfrentados pelos serviços de atenção psicossocial.
A mediação ficou a cargo do professor Brunno Ferreira Gomes, docente do curso de Terapia Ocupacional do UNIFLU, e de Fernanda Lisboa, egressa do curso de jornalismo e agora discente do 5º período de TO, que conduziram as discussões e incentivaram a participação dos estudantes e professores ao longo da atividade. Em um momento marcado por muita emoção e história de superação, dois convidados subiram no palco e contaram suas experiências sendo pacientes do CAPS (Centros de Atenção Psicossocial), evidenciado a real atuação e tudo que foi abordado no evento pelos profissionais da área.
Mais do que uma homenagem à data, a mesa-redonda proporcionou um espaço de aprendizado, reflexão crítica e diálogo interdisciplinar, reforçando a importância da formação acadêmica comprometida com os direitos humanos, a inclusão social e a construção de práticas de cuidado cada vez mais humanizadas.










